quinta-feira, 6 de março de 2014

A luz de um poste

A luz de um poste penetra pelas folhagens. Forma-se dela uma estrela: difusa, rala, intensa.
É na penumbra que vem abaixo, depois da grande e retalhada escuridão da copa, que eu me encontro.
Sou ao mesmo tempo repelido de seu centro mas mantido em seu halo, e sobre a influência de seus membros dourados, pressiono-me contra o chão, abandonado por mim mesmo.
Ali, a triste lembrança de um espírito pleno, um sorriso puro, inquieta-me.
Tsc.
Estala uma rebeldia, gerando forças quase suficientes para que eu desvie o olhar.
Shmm...
Quase desvio.
Hffffff...
Mergulho novamente. Mergulho nessa imagem e ela mergulha em mim.

Concentram-se noites de verões a invernos. A nostalgia lembra-me de muita coisa: mas são só imagens, e dúbias. Tudo, desde sempre, diz que sempre existe uma culpa, e ela é sempre de alguém. Talvez alguém muito especial e escondido, talvez a própria estrela e quem passa por ela. Até condenam a solidão. Porém hoje não há alguém.
Hoje imagino fotografias.
Sob a mancha de luz e na sombra, levanto-me. Levanto-me de tal imagem, levanto-me de todas as distâncias e respiro o ar de vidas e mortes. Só existe eu e as coisas, as casas, os postes.
Dou de costas, volto ao caos ordinário. Finalmente para afundar.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

De um amigo querido, Marcelo Mamede:

Viajar na imensidão da vida A cada passo, um pouquinho O tempo leva na ida O que a gente deixa no caminho Na memória fica o rastro Dos passos da vida na Terra Bom é saber fazer lastro Com pessoas com quem se erra No errante navegante Errar humano é E se navegar é preciso, antes; A vida dos errantes, precisa não é E de imperfeição per feição Se afeiçoam os que erram Se afeiçoam os que são Apreendendo o que er[r]am

domingo, 26 de janeiro de 2014

We never know ourselves

I see you alone and this makes me wonder why things went out that way. Maybe you thought I didn't like you, maybe we've got tired of mirrors. You know, I was never too good for you, and you’ve always heard they say. When the wind blew backwards that night, I got scared of interiors, I didn’t want to go back home, I confess.
Anyways, I decided to reach you just to let you know, as you might, that I still see you, and the broken glass we’ve left behind scattered light all over, it is beautiful. I hope your life turns out to be the best of all our. We never know who we are until we see ourselves hugged in front of that thing, don’t you think?

Quem sou eu

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Now that San Francisco's gone/ I guess I'll just pack it in/ Wanna wash away my sins/ In the presence of my friends