quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Para não dizer que fui eu quem disse


Para não dizer que fui eu quem disse, afinal não estou só dizendo, eu escrevi para depois dizer, e afinal porque já fizeram isso de escrever de tanta responsabilidade, eu, como já disse, para evitar a responsabilidade comigo mesmo, vou dizer que foi a Maria quem disse que uma vez pensou assim:

"O conceito, aquilo que é o contorno de uma concepção, muito mais que uma palavra é mais como uma livro de leis sobre a observação daquilo a que se refere, é o que nunca vai ser. O conceito é aquilo para que lembremos do que estamos nos referindo, e nada mais. Não é uma cópia, nem o original, é um convite...
No caso de gente, de ser humano, melhor, de cidadão, um exemplo de conceito, bem sem graça, é o ato fascista por má fé. Aquele que pratica tal ato, concebendo-o como natural, não o faz por fazer, mas sim por conceber, porque se forçando a ser aquilo que acha que deve ser, acaba não sendo nada, e opta por assim ser, sem se ver sendo, mas só como é. O ato não fascista, nem de má fé, nem aquele que é sem querer, por motivo de coisas históricas as quais não desenvolveu ver, é muito mais difícil de se conceituar, porque admitindo a angústia de não saber o que é e contrariando o esforço de ser, não pára de procurar-se, e por não se aquietar, não lhe passa uma ideia de essência de conta própria, nem do contrário disso, mas apenas a preguiça e ao mesmo tempo coragem de não se responsabilizar por essa questão dicotômica, que ao ser tão conceituada por aí, parece fascista."

Mas já vi quem dissesse outra coisa por aí, de que se estamos falando de uma coisa só podemos definir outra coisa a partir do que já definimos, e assim seria impossível definir o não fascista sem, nas escolhas das pessoas, ser apenas a parte que complementa o que se diz, tão facilmente apontado, como ser fascista.

A coisa não é tão política quanto cabulosa, porque, apesar dessa busca tão turbulenta do equilíbrio entre não ser nada e não saber o que se é, agente sempre está sendo alguma coisa sem saber naquela hora o quê, até que alguém lá de fora, desenroscado da história, acaba tropeçando e caindo de braços nos nossos, e agente só vai pensar que é assim tão importante se decidir quem é, se for uma pergunta de nós juntos. E também porque juntos agente, sem se decidir, só quer ver sorrisos, até não ser mais nada.

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